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junho 6, 2018

CRISES ESTABILIZAM PARA UM NOVO MOMENTO DE VIDA

Em toda família, os momentos críticos promovem uma renovação quase que compulsória, exigindo adaptações, mudanças de visão de vida, práticas diferentes no dia-a-dia, e nessa ocasião, vivemos a prova de nossa elasticidade dos laços amorosos, ou a rigidez deles, nossa compaixão com o outro, ou indiferença, a solidariedade de que somos capazes ou o egoísmo, a fé que todos os familiares nutrem ou o ceticismo. Perda de emprego, doenças sérias, separações conjugais, entre outras dificuldades colocam nossos laços familiares expostos a inúmeras pressões; as pessoas são exigidas a reorientar sua rotina diária, e de uma forma ou outra, cada membro da família se depara com suas limitações, com sua coragem, seus medos, seu desprendimento, sua racionalidade, e as emoções que podem vir a tona, inevitavelmente. É sem dúvida, um processo especial que as famílias vivem, capaz de nutrir o que talvez precisava ser nutrido, para elevar as relações familiares às condições mais satisfatórias de bem estar, que é quando cada um se sente reconhecido e reconhece o outro, com amor, carinho e afeto, considerando muito mais seus potenciais do que seus limites.

Muitas vezes consideramos as crises um grande problema, porque elas mexem com um estado aparente de equilíbrio que vivíamos. Mas nem sempre esse equilíbrio significa saúde relacional. Há famílias que vivem num equilíbrio estático de total desunião, de falta de entendimento, quando pais e filhos não se vêem, não se aproximam, não conversam. Há casais, que podem viver um estado de equilíbrio baseado também na falta de cumplicidade, amizade e conjugalidade. Vivem juntos, se sentindo sozinhos. E quando um fato novo se revela mexendo com esse equilíbrio, outras possibilidades podem surgir, reciclando e proporcionando amadurecimento a todos. Enfim, viver, entre tantas coisas, também pode ser descobrirmos novas forças em nós mesmos, expandir nossas fronteiras do coração e caminhar cada vez mais para o que consideramos essencial em nossa condição de ser humano.